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Rúbricas e Textos Reflexivos
Quando a traição não é o fim: reconstruir depois da rutura de confiança!
Rúbrica: Olhando as Relações - Mariana Cardoso - Terapeuta familiar e de casal

Quando a traição não é o fim: reconstruir depois da rutura de confiança!

 

A traição é, para muitos casais, um dos acontecimentos mais dolorosos que podem atravessar. Não é apenas a quebra de um acordo, mas uma rutura profunda na confiança, na segurança e na forma como cada um olha para a relação.

A traição (só a sua definição daria um texto completo), pode significar coisas diferentes para cada pessoa. O que significa traição para ti? Enviar mensagens por texto com "flirt"? Enviar fotografias íntimas? Ter encontros pessoais? Haver contacto sexual?

 

Parece estranho, mas, o que significa traição é por si só um trabalho de autodescoberta.

 

Quando recebo casais em consulta, que procuram terapia depois de terem descoberto uma traição, raramente me chega "apenas" o que aconteceu...os casais querem falar e perceber o impacto: o chão que desapareceu para quem foi traído e, muitas vezes, a culpa, a vergonha, a ambivalência e até o desespero de quem traiu. É um momento em que a relação, tal como era conhecida, deixa de existir.

 

E é aqui que surge uma pergunta difícil, mas essencial:é possível reconstruir?

A resposta não é linear. Nem todos os casais conseguem, nem todos os casais querem. Reconstruir uma relação depois de uma traição não é voltar ao que era antes. É, na verdade, criar algo novo!

 

Para quem foi traído, o caminho passa por lidar com a dor, a raiva, a desconfiança. Não há atalhos para isso. A confiança não se “decide” recuperar. Constrói-se! Lentamente, através de consistência, transparência e tempo.

 

Para quem traiu, não basta pedir desculpa. É necessário compreender o que aconteceu, assumir responsabilidade sem defensividade e estar disponível para reparar, mesmo quando isso implica enfrentar o desconforto repetidamente. É necessário sair do papel de assumir (que é numa primeira fase importante), para um papel ativo na cura da relação.

 

E para o casal, talvez o maior desafio seja este: aprender a conversar sobre o que dói, sem cair no ciclo de ataque e defesa. Criar o espaço para procurar o contexto em que a traição aconteceu e o que significa para ambos (sem retirar a responsabilidade).

 

Reconstruir implica disponibilidade de ambos. Implica compromisso, paciência e, sobretudo, honestidade, principalmente consigo próprio. Conseguem perdoar? Querem continuar nesta relação? Estão disponíveis para falar sobre o assunto?

 

Ao longo deste processo, há algo que se torna claro:

não se trata apenas de salvar a relação, mas de perceber que relação faz sentido construir a partir daqui.

Porque, por vezes, reconstruir significa continuar juntos.

E outras vezes, significa conseguirem separar-se com mais consciência, respeito e clareza.

 

Em qualquer dos casos, há um ponto comum:

olhar de frente para o que aconteceu e escolher, de forma intencional, o que fazer com isso.

 

Mariana Cardoso

Terapeuta Familiar e de Casal

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