Estás a gerir as relações ou a ser rígido com as mesmas?
Creio que muitos de nós já passámos por uma experiência relacional a qual sentimos como fonte de maior sofrimento e, independentemente de ser uma relação de amizade ou amorosa, creio que, se ficou no passado, isso pode ter implicado a decisão de afastamento dessa pessoa (ou até mesmo de um grupo).
A minha pergunta de base, e em tom de início de reflexão, é a seguinte: haverá um limite a partir do qual o ser humano está a ser demasiado rígido por excluir pessoas da sua vida, em função das suas atitudes e comportamentos e, logo, ao que estes o fazem sentir?
Hoje em dia é fácil abrirmos uma rede social e encontrar um vídeo que partilha a ideia de que devemos ter atenção a quem nos rodeia, ou de que forma devemos escolher as pessoas ao nosso redor para alcançarmos o sucesso. No entanto, não será essa uma visão extremista? Não estará a negligenciar a possibilidade de considerarmos e existência de uma infinitude de relações e possibilidades relacionais, nas quais temos abertas experiências que nos permitem também aprender acerca de nós e do mundo?
Assim, surgem as perguntas seguintes: será que há espaço para tentarmos gerir a relação, eventualmente reformulá-la e lidar com a circunstância e o que ela nos faz sentir? Considerando uma perspectiva de co-responsabilização nas relações, e que a reação do outro também fala sobre mim, será que essa relação tem algo para me ensinar? Estaremos a tomar uma decisão refletida quando nos afastamos de um companheiro, de um amigo ou até mesmo de um familiar, ou apenas a fugir de algo?
Acredito que não exista uma resposta correta para estas questões, pois existem infinitas experiências e formas de sentir cada vivência, mas acredito que é de extrema importância permitir-nos a conhecer o que nos move, como pensamos e gerimos as nossas amizades e restantes relações, para que sejamos capazes de criar uma rede relacional forte, unida e que nos faça sentir também mais fortalecidos e capazes perante as diversas situações que enfrentamos no dia a dia.
Terminando, deixo então uma pergunta final: esta seletividade é um ato de coragem ou traduz-se numa indisponibilidade interna para lidar com algumas situações, optando por uma separação, ao invés de trabalhar a relação e as emoções que esta nos traz?
Tomás Jesus
Psicólogo Júnior – Dialógicos
(Rubrica – Ponto de Reflexão… - Agosto 2026)