Tenho de escolher o meu futuro. E agora?
Não é invulgar que os jovens se sintam perdidos quando se aproxima o momento de escolher um percurso escolar ou profissional. Estes momentos de dúvida são mais frequentes no final do 9º ano, perante a entrada para o ensino secundário, ou mais tarde, quando é necessário decidir que formação ou área profissional seguir.
Esta escolha é frequentemente vivida como sendo uma decisão sobre o próprio futuro. A esta incerteza junta-se a sensação de que é necessário encontrar, desde já, a opção certa, ou seja, aquela que irá definir uma profissão e, de algum modo, um projeto de vida. Esta pressão pode ter um impacto significativo tanto nos jovens como nas suas famílias.
Em consulta, encontramos frequentemente pais empenhados em apoiar, mas também inseguros quanto à melhor forma de o fazer, assim como, jovens frustrados por não conseguirem identificar um caminho entre tantas possibilidades. As dúvidas sobre os próprios interesses e capacidades, as diferentes possibilidades de escolha, a diversidade de percursos formativos e as rápidas transformações do mercado de trabalho podem tornar esta decisão ainda mais difícil.
Contudo, escolher um percurso não significa decidir definitivamente toda uma vida profissional. Significa procurar uma direção suficientemente coerente com aquilo que o jovem conhece de si neste momento, considerando também as oportunidades disponíveis e os caminhos que poderá continuar a construir.
É neste processo que a orientação vocacional e profissional pode ajudar.
Mais do que indicar um curso ou uma profissão, a orientação vocacional procura proporcionar uma compreensão mais ampla do jovem e da forma como se relaciona com diferentes possibilidades de futuro. Para isso, considera vários fatores, como os seus interesses, aptidões, características pessoais, valores, experiências escolares, expectativas e circunstâncias familiares.
Pretende-se, assim, apoiar o jovem na construção de uma escolha mais consciente, fundamentada e que tem em conta a sua individualidade como sendo o centro do processo, ajudando-o a compreender não apenas quais poderão ser as opções mais ajustadas, mas também o que sustenta cada possibilidade e que passos serão necessários para a concretizar.
A orientação vocacional não procura escolher pelo jovem nem oferecer uma resposta fechada. Pelo contrário, este processo pretende criar condições para potencializar o autoconhecimento, explorar alternativas, esclarecer dúvidas e participar ativamente na construção do seu próprio percurso.
Raquel Costa