E se eu olhar para as emoções percecionadas como negativas, sem medo?
Vivemos numa época em que parece existir uma necessidade constante de estar bem. Nas redes sociais vemos sorrisos, conquistas e momentos felizes, e muitas vezes acabamos por sentir que emoções como a tristeza, a ansiedade, a raiva ou a frustração são algo que devemos evitar. Mas será que sentir essas emoções, percecionadas como negativas é assim tão mau?
Todas as emoções têm uma função. A tristeza pode ajudar-nos a reconhecer uma perda e a perceber que precisamos de tempo para recuperar. A raiva pode indicar que os nossos limites foram ultrapassados ou que existe algo dentro de nós que pode ainda não estar resolvido na totalidade. O medo pode proteger-nos de situações de perigo. Mesmo a frustração, pode ensinar-nos a lidar com aquilo que não corre como esperávamos.
O problema não está, por isso, em sentir emoções que consideramos negativas. Está muitas vezes na forma como lidamos com elas. Quando tentamos ignorar, esconder ou eliminar constantemente aquilo que sentimos, podemos acabar por acumular emoções que continuam presentes, bloqueadas, por não lhes termos dado espaço e tradução psíquica.
Isto não significa que devemos ficar presos a essas emoções ou aceitar que nos façam sofrer indefinidamente. Significa aprender a reconhecê-las, compreendê-las e integrá-las. Também essas emoções, que percecionamos como negativas, porque fazem parte da nossa condição humana, nos permitem aprender sobre nós, as nossas vivências, as relações e os outros.
Nem todos os dias têm de ser bons. Nem todas as emoções precisam de ser agradáveis para serem importantes. Talvez o objetivo não seja estarmos sempre felizes, mas conseguirmos compreender aquilo que sentimos e permitir-nos viver também os dias mais difíceis.
Afinal, uma vida emocionalmente saudável não é uma vida sem emoções que considerámos como negativas, mas é sim, uma vida em que existe espaço para todas as emoções.
Tomás Jesus
Psicólogo Júnior – Dialógicos
(Rubrica – Ponto de Reflexão… - Setembro 2026)