E se não tivermos de ter tudo decidido?
Vivemos numa sociedade que parece esperar que saibamos sempre o que queremos, para onde vamos e quais são os próximos passos a dar. Esperamos fazer sempre ou quase sempre boas escolhas, que tenhamos objetivos definidos e que consigamos construir um caminho seguro para o nosso futuro. Mas será que precisamos mesmo de ter tudo decidido, e será sequer isto possível?
Por vezes, a incerteza pode ser desconfortável. Não saber se estamos no caminho certo, questionar escolhas que fizemos ou sentir que ainda não encontrámos o nosso lugar pode despertar ansiedade e insegurança. É fácil olhar para a vida dos outros e sentir que estamos em diferentes fases da vida ou que a nossa vontade seria até viver o que as outras pessoas estão a viver, sobretudo quando parece que toda a gente sabe exatamente o que está a fazer.
No entanto, nem todas as pessoas encontram as respostas ao mesmo tempo, e nem todas as respostas precisam de ser encontradas de imediato. A vida não é um percurso linear, com etapas que devemos cumprir numa determinada ordem ou dentro de um prazo específico. Aquilo que faz sentido numa determinada fase da nossa vida pode deixar de fazer sentido noutra, e mudar de direção não significa que falhámos, significa apenas a vida a acontecer.
Talvez parte da dificuldade esteja na ideia de que precisamos de ter certezas antes de avançarmos. Mas, muitas vezes, é precisamente ao experimentar, ao errar e ao refletir sobre aquilo que vivemos que descobrimos o que realmente queremos. Nem sempre precisamos de saber exatamente onde vamos chegar; por vezes, basta perceber qual é o próximo passo que faz sentido, para nós, dar, e compreender que esse passo pode levar a diferentes caminhos.
Aceitar a incerteza não significa deixar de fazer planos ou desistir dos nossos objetivos. Significa reconhecer que nem tudo está sob o nosso controlo e que podemos continuar a construir o nosso caminho mesmo quando não temos todas as respostas.
Podemos estar a aprender, a mudar de ideias, a experimentar e a descobrir quem somos. E talvez seja importante lembrarmo-nos de que não existe um ritmo certo para viver. Precisamos apenas de nos permitir fazer as perguntas, dar tempo e confiar que também podemos encontrar o nosso caminho enquanto caminhamos.
Tomás Jesus
Psicólogo Júnior – Dialógicos
(Rubrica – Ponto de Reflexão… - Outubro 2026)