Amar agora e depressa
Vivemos num tempo em que tudo é rápido.
As respostas chegam em segundos, as encomendas online no dia seguinte, as distrações em cada deslizar de dedo mudam em segundos...
Mas o amor, o vínculo e as relações… essas, continuam a precisar de tempo.
Nas relações, trazemos a mesma urgência que aplicamos a tudo o resto: queremos que funcione logo, que o outro nos entenda sem precisar de explicação.
E quando há silêncio, distância, mal-entendidos é fácil pensar que talvez não seja a pessoa certa e, tal como fazemos com tudo o resto, "encomendamos outra relação"... mais recente, com menos história, com menos mal entendidos.
Mas será que as falhas, que existem em todas as relações, são a última gota? Ou é a própria relação com o tempo que muda?
Como terapeuta de casal, vejo cada vez mais pessoas cansadas e desinvestidas (não do amor, mas do esforço que ele exige e da pressão social que parece exigir relações perfeitas).
Aprendemos a procurar a solução rápida, o “match” instantâneo, o “começo novo” que promete o que o anterior não deu. Aquela sensação de "borboletas na barriga", aquela ânsia de estar sempre com a outra pessoa, sem perceber no entanto que não aguentaríamos muito tempo naquele estado emocional.
Nenhuma relação sobrevive se não tiver tempo para crescer, errar, reparar e recomeçar, tantas vezes quantas forem precisas. Nenhuma relação fica forte se ambos não se esforçarem diariamente para isso.
O amor não é um estado; é um processo.
E processos levam tempo, paciência e presença.
Mas será que ainda sabemos esperar?
Talvez valha a pena perguntar:
Quantas vezes desistimos, não porque acabou, mas porque ficou difícil?
Que ideia de amor estamos a alimentar... a do consumo ou a da construção?
E o que aconteceria se, em vez de procurar alguém “novo”, procurássemos uma nova forma de estar com quem já escolhemos e trabalhássemos para isso?
Mariana Cardoso
Terapeuta Familiar e de Casal